Direitos humanos e um milkshake de pop descaradamente pirosa para terminar 2021

2021 foi um ano dedicado à acessibilidade cultural: à garantia de direitos. É isso que está em causa, conferir direitos humanos universais a pessoas com deficiência para que participem com equidade na cultura. No Shifter, publiquei um artigo de opinião sobre 22 anos de experiências em cadeira de rodas em que escrevi: 

“E se os promotores, salas e artistas tomarem uma posição reforçando a sua responsabilidade cívica? Forem precursores, para o sector e para a sociedade, na inclusão das pessoas com deficiência? Não será esse, em última instância, o objectivo da cultura? A arte tem essa missão: lembrar-nos do propósito da humanidade. De incluir em vez de excluir. Dar liberdade em vez de reprimir.” 

Aprendi muito sobre a importância da pluralidade, publiquei este artigo no Público e destaco os do Setenta e Quatro e da Gerador. Trabalhei ao lado da Acesso Cultura e da It’s About Impact. Falei, muito, com a Raquel Banha que assina a Carta publicada esta semana em culturanuclear.pt sob o título “A deficiência cultural”.

Há alguns anos atrás, em episódios que a Raquel conta nesta carta, fiquei a conhecê-la. Finalmente  descobri  alguém que defende exactamente o mesmo que eu. Chegará o dia em que Portugal dará o salto e as lutas de hoje, como o direito à entrada de assistentes pessoais, serão nobres medidas adoptadas pelo nosso sector, posicionando-se na vanguarda e tornando-se precursor para a sociedade portuguesa. 

O episódio desta semana, o último de 2021, ergue-se sobre a necessidade de garantir mais direitos para pessoas com deficiência numa banda-sonora de pop descarada e pirosa que, quer gostem ou não, vai fazer-vos dançar. As canções de Jennifer Lopez, Destiny’s Child, D’Alva, Dua Lipa, Donna Summer, Kelis e Whitney Houston são um rasgo de prazer e espero que, além de dançar, vos faça ter vontade de ser voz activa nesta luta por direitos humanos.

Tiago Fortuna